Francisca
Marketing · Vivencias Travel
Os dois países devolvem imposto a estrangeiros, mas por caminhos diferentes e com regras que quase ninguém explica junto. O que dá para recuperar, o que é preciso guardar e onde a maioria perde o benefício.
Chile e Argentina cobram IVA alto: 19% lá, 21% do outro lado da cordilheira. Os dois devolvem parte disso a turistas estrangeiros, mas por mecanismos diferentes, e a maior parte das pessoas perde o benefício por um detalhe de documentação.
Vale entender antes de viajar, porque quase tudo se decide na hora da compra, não depois.
Argentina: a hospedagem é o caso mais fácil
O benefício mais relevante para quem viaja a Bariloche não é compra de loja, é hotel. O turista estrangeiro tem direito à devolução do IVA sobre a hospedagem, e na prática funciona como desconto direto: o hotel não cobra o imposto na conta.
Para que isso aconteça, três condições costumam ser exigidas:
- Apresentar o passaporte no check-in, como estrangeiro não residente.
- Pagar com meio de pagamento emitido no exterior: cartão internacional ou transferência de fora do país.
- Pagar em moeda estrangeira pela via indicada pelo hotel, não em pesos em dinheiro.
É por isso que pagar a diária em espécie, em pesos, costuma eliminar o benefício. Quem paga assim economiza no câmbio e perde 21%: raramente compensa.
Para compras em lojas há o sistema de reembolso de IVA em comércios aderidos, que exige nota fiscal emitida em seu nome e a validação na saída do país.
Chile: o caminho é a nota e a saída
No Chile a alíquota é de 19% e a devolução a turistas existe para compras em comércios habilitados. A lógica é a mesma de outros países: comprar em loja aderida, pedir a documentação correta no momento da compra e validar na saída.
Um ponto específico do Chile que vale saber: em alguns serviços turísticos prestados a estrangeiros não residentes, pagos com meio estrangeiro, o IVA não se aplica. Ou seja, o preço já sai sem o imposto. Não é algo que você solicita depois: é algo que depende de como a cobrança é feita.
O erro que mais custa caro
Sempre o mesmo: decidir a forma de pagamento sem pensar no imposto.
Na prática, a sequência que funciona é:
- Diga que é turista estrangeiro antes de pagar, não depois. Com a nota emitida, não há conserto.
- Pague com cartão internacional quando o benefício depender disso.
- Guarde tudo: nota fiscal, comprovante do cartão e passaporte à mão.
- Reserve tempo no aeroporto se precisar validar algo na saída. Com um voo apertado, não dá.
O que não entra
Serviços comuns do dia a dia, como restaurantes e transporte, em geral não entram em nenhum dos dois sistemas. O benefício é de hospedagem e de compras, não de tudo o que você gasta na viagem.
E uma novidade do lado brasileiro
O Brasil passa a ter o seu próprio programa de devolução de impostos a turistas estrangeiros dentro da reforma tributária que começa a rodar em 2027. Não muda nada para quem viaja ao Chile ou à Argentina, mas explica por que o assunto vai aparecer bastante nos próximos meses.
Antes de fechar as contas
As regras de câmbio e de devolução mudam com frequência nos dois países, então confirme o detalhe vigente com o hotel e com a loja no momento da compra. Para o resto do orçamento, o que não está no preço de uma viagem a Bariloche lista as cobranças que aparecem no destino, e casa de câmbio em Santiago resolve a parte do dinheiro na chegada.
Perguntas frequentes
O turista brasileiro recupera o IVA do hotel na Argentina?
Sim, em geral como desconto direto na conta: o hotel não cobra o imposto quando o hóspede é estrangeiro não residente, apresenta passaporte e paga com meio de pagamento emitido no exterior, como cartão internacional ou transferência de fora. Pagar a diária em pesos e em dinheiro normalmente elimina o benefício.
Qual é a alíquota de IVA no Chile e na Argentina?
No Chile é de 19% e na Argentina de 21%. Os dois países preveem devolução a turistas estrangeiros, mas por mecanismos diferentes: na Argentina o caso mais relevante é a hospedagem, e no Chile é a compra em comércios habilitados, além de alguns serviços turísticos que já saem sem imposto quando são pagos com meio estrangeiro.
O que é preciso guardar para pedir a devolução de impostos?
A nota fiscal emitida em seu nome, o comprovante do pagamento com cartão internacional e o passaporte. O mais importante é avisar que você é turista estrangeiro antes de pagar: com a nota já emitida de outra forma, normalmente não há conserto.
Restaurantes e transporte entram na devolução de IVA?
Em geral não. O benefício alcança hospedagem e compras em comércios aderidos, não o gasto corrente da viagem. Por isso convém calcular a devolução só sobre esses itens e não sobre o total.




